O príncipe de Salinas, um aristocrata siciliano, personagem do romance 'O Leopardo' de Giuseppe Tomasi di Lampedusa, já nos alertava sobre a perpetuação dos males que acometem a humanidade. Em sua famosa frase, ele nos lembra que 'Tudo isso não deveria poder durar; mas vai durar, sempre; o sempre humano, é claro, um século, dois séculos...; e depois será diferente, porém pior'. Essas palavras ecoam fortes no Brasil de hoje, onde a corrupção e os escândalos governamentais parecem não ter fim.
Os penduricalhos, um tema que vem sendo debatido com intensidade nos últimos tempos, são um exemplo claro disso. Esses benefícios extras, concedidos a certos indivíduos em cargos públicos, são uma forma de corrupção disfarçada, que visa apenas enriquecer aqueles que já estão no poder. É um ciclo vicioso, que se perpetua a cada eleição, a cada nova administração. E o povo brasileiro é quem paga a conta, com seus impostos, sua dignidade e sua confiança nas instituições.
Mas o que é ainda mais chocante é que esses penduricalhos são considerados legais. Sim, você leu bem. Legais. É como se a prebenda do século 19, um benefício concedido aos nobres e aristocratas, nunca tivesse sido abolida. É como se a história não tivesse aprendido com os erros do passado. E é exatamente isso que o príncipe de Salinas nos alerta: que a humanidade tem a tendência de se repetir, de cometer os mesmos erros, até que algo mais grave aconteça.
E é exatamente isso que está acontecendo no Brasil. A corrupção e os escândalos governamentais estão se tornando cada vez mais comuns, cada vez mais aceitos. E o povo brasileiro está começando a se acostumar com isso. Está começando a aceitar que a corrupção é uma parte natural da política, que os penduricalhos são apenas uma forma de 'recompensar' aqueles que estão no poder. Mas não é assim. A corrupção é um câncer, que está consumindo o Brasil por dentro. E é hora de agir, de exigir que nossos líderes sejam honestos, que nossas instituições sejam transparentes. É hora de mudar o curso da história, antes que seja tarde demais.